A Era dos Projetos

Publicado em http://seteporsete.net/post-view-new.php?id=57

11.09.2013 
A Era dos Projetos 
GABRIELA ALCOFRA a partir de A projetista de Dudude / Bienal SESC de Dança 2013

Queridos artistas, gostaria de escrever-vos uma carta, pois esse pensamento é para nós.

O projeto é um rascunho ou um desejo?

Categoria: Crítica artística em/sobre/a partir de espetáculos/intervenções/ formações em dança.
Por que de repente nos tornamos tão semânticos?
O dicionário não cabe mais em nós.
Título: A Era dos Projetos
Qual o projeto de uma pessoa? É uma vontade ou uma necessidade?
Como construímos esse cenário projectual? O conceito dominou a ação? A instituição dominou o artista? Se o presente projeta, qual será a necessidade do futuro?

Objetivos:
– escrever uma crítica artística de dança a partir da obra A projetista de Dudude
– suscitar um pensamento reflexivo e artístico
– refletir
– organizar
– experienciar / trocar/ discutir
– compartilhar / postar
– sobreviver

Lembro do Sr. Wilde, sussurrando ao pé do livro, prefaciando uma obra de arte.

“ Podemos perdoar a um homem que faça alguma coisa útil, conquanto que não a admire. A única justificação para uma coisa inútil é que ela seja profundamente admirada.
Toda a arte é completamente inútil.” [i]
 (Eu necessito Wilde)

Justificativa:
Eu sou uma artista. Minha necessidade não contabiliza matéria. Faço um orçamento baseado em planilhas. Minha fome é outra. Não cabe em tabelas. Eu faço caber. O que eu faço não tem preço, embora custe. Custa o figurino, o chão, o papel, o cenário, mas também a ideia, o investimento, o desejo, o tempo. Conceitos que não consigo precisar, embora precise. Sei que não serve pra nada. Sei que existem crianças com fome, estupradores à solta, assassinos em potencial, mentes brilhantes analfabetas, curas a serem descobertas. O mundo necessita coisas muito mais úteis. Não me importo. A geladeira é útil. O fogão é útil. O computador é útil. O carro é útil. O fácil não é vital. O prático não é suficiente. Busco o intangível, o inexplicável, o imaterial, o inútil. Tudo que couber em alguma utilidade foge do meu propósito. Não justifico arte. Arte só é justificável enquanto projeto.

“Fico imaginando quais teriam sido os objetivos de Pina Bausch ao compor Café Müller, ou de Villa Lobos ao compor Bachianas…e se essas obras teriam existido”[ii]

(Eu necessito Bausch e Lobos)

Detalhamento das ações previstas:

1) O artista assiste obra
2) O artista escreve
3) O artista mostra texto pra equipe, discussão e mudanças
4) O texto vai pra tradução
5) A tradução devolve o texto
6) O texto é postado na internet

O mundo que prevê não acontece.

Rascunho.

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